Como preparar o Pai para estar presente no Parto?

pai presente no parto

A presença do Pai durante o nascimento do seu filho é algo recente na nossa história. Antigamente, assim que a mulher começava com sinais de trabalho de parto, pedia ao marido para ir chamar a parteira e mais algumas mulheres que pudessem ajudar e estava concluída a sua contribuição neste evento.

Hoje em dia, pela importância que sabemos ter a presença do Pai no Parto e pela vontade que homens e mulheres têm em que isto aconteça, é quase adquirido que o pai está presente no nascimento. E isto é maravilhoso.“A participação do homem no trabalho de parto é também reconhecida como fonte de apoio à parturiente, propiciando, também, benefícios aos resultados perinatais (Klaus, Kennel & Klaus, 1993).

Algumas pesquisas (Carvalho, 2001; Souza Pinto, 2001; Klaus, Kennell & Klaus, 2000) demonstram ainda que, para as mulheres a participação do pai do bebê durante o parto significa fonte de apoio importante e que as parturientes avaliam a companhia dele de forma positiva, pois traz sensação de segurança e conforto.”*Considerando que a mulher quer usufruir da presença do companheiro e que o companheiro quer estar presente no parto (e isto é mesmo importante!) a seguinte questão que se coloca é:O parto é um momento intenso, quer a nível físico, como também emocional e energético. Na sociedade actual temos muito pouco contacto com partos. Não costumamos assistir nem falar muito sobre eles e o que nos chega através dos media é romantizado, rápido e irreal. Por isto mesmo, torna-se fundamental que o pai se prepare para este evento, tal como a mãe.Conhecer as etapas do parto, bem como os sinais emocionais pelos quais a mulher passa durante o processo evita que na altura o pai seja surpreendido com o desconhecido. Saber o que é expectável ou não, o que é normal ou não, que tipo de reacções pode esperar da mulher facilita o processo. Não só porque o pai vai estar à espera e saber que é normal, mas também porque a mulher se sente apoiada incondicionalmente, sem ter que justificar, omitir ou conter o que for.Conhecer os procedimentos feitos no parto também ajuda a acompanhar cronologicamente o processo e a saber o que é expectável ou não. É importante salientar que no parto a mulher tem níveis muito altos de oxitocina (hormona do amor) e é desejado que assim seja para que tudo flua e o trabalho de parto se desenrole.

Por outro lado, se a mulher sente e produz adrenalina, a oxitocina baixa. O homem tem mais adrenalina a circular pelo seu corpo do que a mulher. É fisiológico. Se é apanhado de surpresa, se assusta ou se está tenso, está obviamente a produzir mais adrenalina do que o habitual. E a adrenalina (assim como a oxitocina) é contagiosa!

Quanto mais se preparar e conhecer o processo, mais tranquilo estará durante o parto e menos adrenalina libertará.Relembrar e desenvolver ferramentas que ajudem a mulher a lidar com as sensações que o parto traz.

Há vários métodos de alívio de dor que podem ser trabalhados e preparados para que na altura o pai se sinta parte integrante do trabalho em vez de apenas observador.

Oo homem tem na sua natureza uma urgência em “fazer coisas” e se sentir impotente e bloqueado, tende a criar tensão.

Por isto, ajuda saber que na massagem, no toque reconfortante, no apoio físico, no abraço, no encorajamento ou no duche a sua presença é fundamental.Uma vez mais refiro que, antes da preparação, a comunicação entre o casal deve ser o mais clara e eficaz possível. Fazerem-se a pergunta:

“Quero que estejas presente no parto?” / “Quero estar presente no parto?”

Porque um pai que quer estar no parto tem imensos benefícios para todos, mas um pai que está e não quer, pode ter efeitos contrários ao desejado.

Se for da vossa vontade contar com esta presença tão especial, prepararem-se juntos para este grande momento. O mais impactante das vossas vidas, com certeza.

Doula Catarina Gaspar. Fica a saber mais em www.catarinagaspar.com

*retirado do artigo O PAI NO PARTO E APOIO EMOCIONAL – A Perspectiva da Parturiente, de Cibele Cunha Lima da Motta e Maria Aparecida Crepaldi