5 dicas para uma amamentação bem sucedida

Ser mãe é um verdadeiro desafio. Respostas a questões como serei boa mãe? Saberei educar o meu filho? ou como vai ser a amamentação? Será que vou ter leite?, são uma constante!

Para juntar a estas dúvidas vêm os conselhos de todas as pessoas que fazem parte da nossa vida. “Não dês muito colo porque fica mal habituado”; “está sempre na mama…será que o teu leite é fraco?”; “só podes amamentar de x em x horas”…Enfim, é um emaranhar de “saberes” que associados a uma exacerbação emocional deixam as mães literalmente em pânico.

No entanto, se tivermos a sorte de encontrar pessoas que nos ajudam a pensar, começamos a perceber que a esmagadora maioria das “regras” não se aplicam.Quando há cinco anos atrás o meu filho nasceu, eu tinha a certeza absoluta que o iria amamentar, mas também tinha a certeza que só o ia amamentar três ou quatro meses porque era “mais do que suficiente”. Isto segundo o que me diziam…sabia lá eu que a nossa jornada iria durar 3 anos!

Os primeiros 3 meses foram horríveis, literalmente! Só tinha vontade de lhe dar biberão e retirar a mama. Porquê, perguntam vocês? Porque tinha o peito todo em ferida, porque passava dias seguidos sem pregar olho, porque cada vez que ele queria mamar eu chorava com a antecipação da dor que sabia que ia sentir e porque se lhe fizesse o intervalo “apropriado” de mamar apenas de 2 em 2 horas, como me mandaram fazer, ele gritava sem parar. Estive tão perto, mas tão perto de desistir que nem imaginam.

Entre o desespero surgiu-me pelo caminho uma mãe, com vasta experiência e conhecimentos em amamentação e aleitamento materno, que com a maior das simplicidades me disse: “ohh Vera, provavelmente ele pega mal na mama, experimenta puxar os lábios para fora cada vez que lhe deres mama e vê se melhora” e não é que melhorou? Deixou de doer e as feridas sararam.Continuei a amamentar e a explorar este universo da amamentação. O que aprendi com ele? Aprendi que o peito não é um depósito de leite ali quietinho à espera que o bebé o tire. Nada disso! Aprendi que é a sucção do bebé que produz leite.

Ora se eu impor um horário ao meu filho como o que me foi dito para fazer de 2 em 2 horas e depois de 3 em 3, o meu peito irá produzir menos. Estará a ser menos estimulado, contrariamente se o amamentar em livre demanda, sem horários e seguindo o ritmo do bebé, nunca teria falta de leite nem “leite fraco”.Agora digam-me: porque é que eu não sabia de nada? Eu tenho 2 respostas: primeiro, porque não fiz o meu trabalho de casa. Não falei com outras mães antes de ter o bebé, não questionei, não sondei. Segundo, porque confiei que a informação dos profissionais que me acompanharam era suficiente para saber tudo o que era necessário para amamentar o meu filho.

E agora pergunto: como pode aprender a amamentar? A chave é educar-se e preparare-se, mas sem stressar!1. Procure ajuda com uma conselheira de aleitamento materno

Procure uma consultora de lactação antes de ter o bebé. Telefone-lhe, converse, faça-lhe perguntas. Pergunte se tem sugestões para facilitar a amamentação, pergunte se faz visitas domiciliares, ou se dá aulas de amamentação.2. Privilegie o contacto pele a pele logo após o nascimento

O contacto imediato da pele com a pele ajuda o cérebro do bebé a desenvolver-se otimamente e torna mais provável a amamentação, por servir de vinculo entre a mãe e o bebé.3. Fique na cama: descanse

A maioria das mães acha que tem de ser a “super mulher” (eu também achava). Queremos voltar para casa com o bebé e continuar a fazer tudo o que fazíamos antes de irmos para o hospital. É o tratar da roupa, da cozinha e da comida, esquecendo-nos que acabámos de sujeitar o nosso corpo ao nascimento de uma nova vida. O corpo está a sarar, a recuperar, a voltar à sua forma anterior e isso leva tempo e impõe descanso. Aliás, o descanso materno pós-parto é das melhores formas de prevenir o chamado baby blues, a depressão pós-parto tão usual na nossa sociedade.

Sabia que antigamente, quando vivíamos em verdadeiras comunidades, a mulher que paria era mimada pelas outras mulheres? Elas, durante o primeiro mês pós parto, tratavam de todos os afazeres da recente mãe, incluído a comida, os banhos e as massagens. Tudo para permitir que aquela mulher recuperasse e que se focasse na criação do vinculo afectivo com o seu filho. Daí vem a expressão: “É necessário uma vila para criar uma criança”.

Uma boa regra geral é ficar na cama na primeira semana, no sofá a segunda semana e ao redor da casa na terceira e quarta semana. Que tal falar com a sua família e com os seus amigos para que quando a venham visitar lhe tragam comida (saudável), que lavem a loiça ou que arrumem a casa? Vamos recuperar um pouco dessas tradições?4. Nutrição e Alimentação

Amamentar dá fome e muita sede. Alimente-se bem, de forma saudável e lembra-se que quando come, não está a alimentar apenas o seu corpo: está a alimentar também o corpo do seu filho que obtém esses nutrientes pelo seu leite.

Evite processados, açúcares e lacticínios de todo o tipo (vaca, cabra, ovelha). Opte por refeições leves, de fácil digestão e nutritivas. Se seguir um regime alimentar vegetariano, é extremamente importante suplementar-se com vitamina B12, ok?5. Coma os alimentos certos e, caso necessite, use plantas medicinais apropriadas

Existem alimentos e plantas galactagogos. São substâncias que promovem o suprimento de leite. Um dos alimentos mais conhecidos é a aveia (avena sativa) que atua como tónico para o sistema nervoso providenciando um efeito calmante suave.

Entre as plantas medicinais mais usadas, destacam-se a Ashwaganda (Withania somnifera), que é uma planta com propriedades adaptogénicas, ajudando-a a adaptar ao stress que envolve toda a sua nova logística, e a Urtiga (Urtica dioica), que é a supra-sumo da Naturopatia.

É particularmente nutritiva, contendo minerais e vitaminas, especialmente o ferro, potássio e sílica. É usada para casos de anemia, fraqueza e para estabilizar o açúcar no sangue, logo oferece-lhe nutrientes importantes para recuperar adequadamente.

Existem muitas outras plantas medicinais que podem apoiar o seu bem estar físico e emocional e que podem ser ingeridas em segurança durante a amamentação. Mas o mais importante, é ter em mente que o período pós-parto é um momento muito pessoal, intimo e intenso que tem com o pequeno humano que até há bem pouco tempo fazia parte de si e do seu corpo.Ter as emoções ao rubro, os medos a saltarem como fogo de artifício em dia de festa e o cansaço é normal. Isso tudo só acontece para relembrar que tem de descansar muito e ao lado do seu bebé.

É tempo de olhar para si, para o seu companheiro e para o seu filho. Lembre-se: visitas nos primeiros dias? Só se forem para ajudar! Querem visitar? então ajudem! Levem sopa, fruta, comida fresca. Ofereçam-se para limpar a casa, passar a ferro e olhar pelo bebé enquanto a mãe desfruta de um relaxante banho e de um momento a sós consigo mesma!

Meyer, Kathryn BA, RN; Anderson, Gene Cranston PhD, RN, FAAN. Using Kangaroo Care in a Clinical Setting with Fullterm Infants Having Breastfeeding Difficulties. MCN, American Journal of Maternal Child Nursing: July/August 1999 – Volume 24 – Issue 4 – pp 190-192
Kirkland R, Motil K. Failure to thrive (undernutrition) in children younger than two years: Management. UpToDate. 12 March 2014. Web. 30 August 2015
Schanler, R J et al. Initiation of breastfeeding. UpToDate 9 September 2015. Web. 17 September 2015

Vera Belchior, Naturopata e autora do livro Nascer e Crescer Vegetariano

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